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CONJUNTO Tópicos: Conceito de conjunto | Representando um conjunto por extensão (ou enumeração) | Diagramas de Venn | Representando um conjunto por abstração | Pertinência | Número de elementos de um conjunto | Cardinalidade de um conjunto | Igualdade de conjuntos | Conjunto unitário | Conjunto vazio | Conjunto Não Vazio | Subconjuntos | Caracterização dos conjuntos iguais | Subconjunto próprio | Comparabilidade | Transitividade da relação de estar contido | Conjuntos de conjuntos | Conjunto universo | Conjunto das partes de um conjunto | Conjunto potência | Conjuntos disjuntos | Diagramas de Venn para relações e operações com conjuntos | Diagramas de linha | Conceitos primitivos | União | Interseção | União e interseção de famílias de conjuntos | Diferença de conjuntos | Complemento ou complementar de um conjunto | Diferença simétrica O conjunto é um conceito fundamental em todos os ramos da Matemática. Intuitivamente, um conjunto é uma lista, coleção ou classe de objetos bem definidos. Os objetos em um conjunto podem ser qualquer entidade abstrata: números, variáveis, equações, operações, algoritmos, sentenças, nomes, etc. Esses objetos são chamados elementos ou membros de um conjunto. Exemplos:
Geralmente denotamos os conjuntos por letras maiúsculas: A, B, C, X, Y, ... e os elementos de um conjunto por letras minúsculas: a, b, c, x, y, ... Os elementos de um conjunto são os objetos que estão no conjunto. Por exemplo, um advogado é um elemento do conjunto de todas as pessoas, mas uma cadeira não é. O elemento de um conjunto também é chamado de membro desse conjunto. DESCREVENDO UM CONJUNTO POR EXTENSÃO (OU ENUMERAÇÃO) Um conjunto pode ser descrito por extensão (enumeração) quando escrevemos todos os elementos do conjunto entre chaves e separados por vírgulas ou ponto e vírgulas: P = {2, 4, 6, 8, 10, 12, 14, 16, 18} ou P = {2; 4; 6; 8; 10; 12; 14; 16; 18} Desse modo sabemos que 6 está no conjunto P (6 pertence ao conjunto P), mas 11 não. Quando um conjunto tem muitos elementos podemos representa-lo usando reticências e apenas alguns de seus elementos, se estiver claro quais elementos pertencem ao conjunto e quais não pertencem. Exemplo: A = {1, 3, 5, 7, ... 997, 999} Nesse caso A é o conjunto dos números naturais ímpares menores que 1000. Como 701 é um número natural ímpar e menor que 1000, então 701 está em A. As reticências indicam a repetição de um padrão reconhecível. Os números 1, 3, 5, 7 são os primeiros naturais ímpares. As reticências indicam os naturais ímpares que os sucedem. Podemos indicar um conjunto com infinitos elementos escrevendo seus primeiros elementos (que formam um padrão reconhecível) entre chaves separados por vírgulas e com reticências. O conjunto I de todos os números naturais ímpares será representado por: I = {1, 3, 5, 7, ...} O conjunto de todos os quadrados dos números inteiros positivos será: {1, 4, 9, 16, 25, ...} Podemos representar conjuntos por diagramas de Venn-Euler, também conhecidos como diagramas de Venn, consistindo de curvas simples planas fechadas. No interior de tais diagramas representamos os elementos, e do lado de fora indicamos os nomes dos conjuntos. Exemplo: representemos o conjunto A dos números primos menores que 15 usando o diagrama de Venn:
REPRESENTANDO UM CONJUNTO POR ABSTRAÇÃO (COMPREENSÃO) Podemos também representar um conjunto por abstração (compreensão) quando seus elementos são conhecidos através de uma propriedade comum a eles. Nesse caso denota-se o conjunto por: {x : p(x)} ou por {x | p(x)} onde x é uma variável qualquer (poderia ser y, z, t, a, b, ...) e p(x) é uma propriedade ou qualidade de x. Ora, p(x) pode ser verdadeira ou falsa. Se p(x) é a propriedade "x é maior que 10", então p(2) é falsa (pois 2 não é maior que 10) e p(129) é verdadeira, pois 129 é maior que 10. O conjunto {x : p(x)} tem por elementos apenas aqueles que tornem a propriedade p verdadeira. Por exemplo: Q = {x : x Î N, x é número par e x < 19} O conjunto Q acima é o conjunto dos elementos que são números naturais, pares e menores que 19. Note que sendo P = {2, 4, 6, 8, 10, 12, 14, 16, 18}, então P = Q, visto que dois conjuntos são iguais quando tem os mesmos elementos. O conjunto P foi descrito por extensão (ou enumeração), enquanto o conjunto Q foi descrito por abstração (ou compreensão). Mas seus elementos são exatamente os mesmos. Se um objeto x é membro de um conjunto B, isto é, se x está em B como um de seus elementos dizemos que "x pertence a B" ou "x está em B", e indicamos isso pela seguinte notação: x Î B (le-se "x pertence a B" ou "x está em B") Intuitivamente podemos dizer:
Se um objeto x não é membro de um conjunto B, isto é, se x não pertence a B, indicamos isso pela notação: x Ï B (lê-se "x não pertence a B" ou "x não está em B") Se A = {a, e, i, o, u} temos a Î A; o Î A; b Ï A; h Ï A, etc. Além disso, podemos dizer que:
NÚMERO DE ELEMENTOS DE UM CONJUNTO O número de elementos de um conjunto é o número de diferentes elementos de um conjunto. Se um conjunto A tem exatamente 7 elementos distintos, dizemos isso usando uma das seguintes notações: n(A) = 7 ou #A = 7 Exemplos:
Os conjuntos podem ser finitos ou infinitos. Intuitivamente um conjunto é finito se consiste de um número específico de elementos diferentes, isto é, se ao contarmos os diferentes membros do conjunto em questão, o processo de contagem chega a um final. Caso contrario o conjunto é infinito. Um conjunto F é finito se não existe uma bijeção entre F e um subconjunto próprio de F. Se existir uma bijeção entre F e um subconjunto próprio de F então o conjunto F é infinito. Por exemplo, o conjunto 2Z dos inteiros pares é subconjunto próprio do conjunto Z dos números inteiros e Z é infinito pois existe uma função bijetora f : Z -> 2Z , por exemplo f(n) = 2n. Se Z fosse um conjunto finito não poderia haver tal bijeção. Exemplos:
Dois conjuntos A e B são iguais quando tem os mesmos elementos. Isto é, quando todo elemento de A pertence a B e todo elemento de B pertence a A. Este modo de verificar se dois conjuntos são iguais chama-se princípio da extensão. Este princípio estabelece, por exemplo, as seguintes igualdades entre conjuntos:
Pelos exemplos acima vemos que quando representamos um conjunto é desnecessário escrever um mesmo elemento várias vezes: ou um elemento pertence ou não pertence a um conjunto. Além disso vemos que não importa a ordem em que aparecem os elementos em um conjunto. Um conjunto é dito conjunto unitário quando tem um único elemento Exemplos: {5}, {a}, {Paula} {x Î R : x ³ 3 e x £ 3} são conjuntos unitários. CONJUNTO VAZIO (OU CONJUNTO NULO) Um conjunto é dito conjunto vazio (ou nulo) quando não possui elementos. Tal conjunto é representado por Æ ou menos freqüentemente por { }. Exemplos de conjuntos vazios:
Nesse caso A = B = C = D = E = Æ . Todo conjunto que tem pelo menos um elemento é chamado conjunto não vazio. Todo conjunto diferente do conjunto vazio é um conjunto não vazio. CONCEITO Sejam A e B conjuntos quaisquer. Se cada elemento do conjunto A é também elemento do conjunto B, dizemos que "A é um subconjunto de B" ou que "A está contido em B". Para dizer graficamente e de modo rápido que "A está contido em B", usamos a seguinte notação: A Ì B (lê-se "A está contido em B" ou "A é subconjunto de B") Se P e Q são conjuntos, então P não é subconjunto de Q quando existe algum elemento de P que não está em Q. Caso contrario P é subconjunto de Q. DEFINIÇÃO De modo mais rigoroso definimos A Ì B como "x(x Î A à x Î B) [veja Lógica] Exemplos:
O conjunto vazio Ø é subconjunto de qualquer conjunto, inclusive dele mesmo, porque não existe um elemento em Ø que não esteja em qualquer outro conjunto. De outro modo: "todos" os elementos de Ø (isto é, nenhum elemento) pertencem a qualquer outro conjunto. Simbolicamente temos que "x(x Î Ø à x Î B) é sempre verdade, para todo conjunto B. Se A e B são conjuntos, indicamos que A não é subconjunto de B, isto é, que A não está contido em B, pela seguinte notação: A Ë B (lê-se "A não é subconjunto de B" ou "A não está contido em B") Exemplos:
Se A é um subconjunto de B, isto é, se A Ì B, dizemos também que "B contém A" ou que "B é superconjunto de A" e denotamos por: B É A (lê-se "B contém A" ou "B é superconjunto de A") Nota: A abertura dos sinais Ì de "está contido" e É de "contém" estão sempre voltadas para o conjunto "maior", como se fosse a boca aberta de alguém espantado com a "grandeza" do conjunto (regra mnemônica). OBSERVAÇÕES
Dizermos que A é superconjunto de B quando A contém B, isto é, quando B é subconjunto de A. Simbolicamente: A é superconjunto de B Û A É B TEOREMA CARACTERIZAÇÃO DOS CONJUNTOS IGUAIS Dois conjuntos A e B são iguais, isto é, A = B, se, e somente se A Ì B e B Ì A. [Demonstração] Se B é subconjunto de A, e B é diferente de A, dizemos que B é subconjunto próprio de A. Isto é, dizemos que B é subconjunto próprio de A quando: B Ì A e B ¹ A Em alguns livros, "B é subconjunto de A" é representado por B Í A e "B é um subconjunto próprio de A" é representado por B Ì A Evitaremos usar aqui esta última notação. Dizemos que dois conjuntos A e B são comparáveis quando A Ì B ou B É A (ou ambos) isto é dois conjuntos são comparáveis se um é subconjunto do outro. Dizemos que dois conjuntos não são comparáveis (ou são não comparáveis) quando nem A Ì B, nem B É A, isto é A Ë B e B Ë A Exemplos:
TEOREMA TRANSITIVIDADE DA RELAÇÃO DE ESTAR CONTIDO Se A é subconjunto de B e B é subconjunto de C, então A é subconjunto de C, isto é: A Ì B e B Ì C acarreta que A Ì C Ou em linguagem mais formal A Ì B e B Ì C à A Ì C [Demonstração] EXEMPLOS
Vemos que se P Ì F e F Ì T, então P Ì T Os elementos de um conjunto podem ser, eles próprios, conjuntos. Se todos os elementos de um conjunto A são eles mesmos conjuntos, então dizemos que A é uma "classe de conjuntos", "coleção de conjuntos" ou "conjunto de conjuntos". EXEMPLOS
Em qualquer aplicação da Teoria dos Conjuntos, o conjunto de todos objetos considerados num determinado estudo é chamado conjunto universal, universo de estudo, ou conjunto universo. Designamos este conjunto por U. Exemplos:
CONJUNTO DAS PARTES DE UM CONJUNTO (CONJUNTO DE POTÊNCIA OU CONJUNTO POTÊNCIA) A classe de todos os subconjuntos de qualquer conjunto S é chamada o conjunto das partes de S, ou o conjunto de potência de S. Designamos o conjunto de potência de S por 2S ou por P(S) Exemplos:
2T = P(T) = {Æ , {1}, {2}, {3}, {1; 2}, {1; 3}, {2; 3}, T} Se S é um conjunto finito e n(S) = k, o conjunto de potência de S terá 2k elementos. Esta é uma das razões pela qual o conjunto das partes de S é chamado de conjunto de potência de S e designado por 2S. Para todo conjunto finito C temos: #2C = 2#C Se os conjuntos A e B não possuem elemento em comum, isto é, se não há nenhum elemento de A em B, dizemos que A e B são conjuntos disjuntos. Se A e B não são conjuntos disjuntos dizemos que eles se interceptam. Exemplos:
Podemos representar conjuntos por diagramas de Venn-Euler, também conhecidos como diagramas de Venn, consistindo de curvas simples planas fechadas. No interior de tais diagramas representamos os elementos, e do lado de fora indicamos os nomes dos conjuntos. Exemplo: representemos o conjunto A dos números primos menores que 15 usando o diagrama de Venn:
A disposição dos diagramas de Venn pode ser um pouco diferente, conforme o problema que queiramos resolver. Assim, muitas vezes não precisamos dar nomes a cada um dos elementos dos conjuntos que desejamos representar. Podemos nesse caso indicar os nomes dos conjuntos no interior dos diagramas, mas sem permitir ambigüidades. Exemplos: Se B é subconjunto próprio de A, então podemos representar A e B pelos diagramas:
Se A e B são disjuntos representamos assim:
Representamos dois conjuntos A e B não são comparáveis e não disjuntos por:
Se A = {a, b, c, d} e B = {c, d, e, f} então podemos ilustrar esses conjuntos usando um diagrama de Venn do seguinte modo:
Um modo prático e instrutivo de ilustrar as relações entre conjuntos é por meio dos chamados diagramas de linha. Se A Ì B, escrevemos B em nível mais alto que A, ligando-os por uma linha, assim:
Se A Ì B e B Ì C, escrevemos:
Exemplos
Note que como A e B são não comparáveis eles não estão ligados por linhas. Se X = {x}, Y = {x, y}, Z = {x, y, z}, W = {x, y, w} então o diagrama de linha é:
Note que como Z e W são não comparáveis, não há uma linha ligando-os. Dado o seguinte diagrama de linhas:
Podemos dizer, por exemplo, que F Ì E, E Ì C, F Ì C, G Ì B, F Ì B, E e G são não comparáveis, C e D são não comparáveis, C e G são não comparáveis, pois não existe um caminho de linhas ligando C e G que só suba ou só desça. Além disso, E e D são não comparáveis pelo mesmo motivo, A e G idem. Os conceitos primitivos de uma teoria são conceitos que não se definem. Os conceitos primitivos da Teoria dos Conjuntos são:
A partir desses conceitos e de um número finito de axiomas, podemos construir uma teoria de conjuntos. CONCEITO A união dos conjuntos A e B é o conjunto de todos os elementos que pertencem a A ou a B ou a ambos. NOTAÇÃO Denotamos a união de A e B por A È B (lê-se "A união B") Alguns livros designam a união dos conjuntos A e B por A + B EXEMPLOS
Uma definição simbólica para união de dois conjuntos é: A È B = {x : x Î A ou x Î B} OBSERVAÇÕES
CONCEITO A interseção das classes A e B é o conjunto dos elementos que são comuns a A e B, isto é, a interseção dos conjuntos A e B é a coleção dos elementos que pertencem a A e também pertencem a B. NOTAÇÃO Denotamos a interseção de A e B por A Ç B (lê-se "A interseção B") Alguns livros designam a interseção de A e B por AB EXEMPLOS (1) No diagrama seguinte sombreamos a região de A Ç B
A Ç B está sombreado (2) Se S = {a, b, c, d} e T = {c, d, e} então S Ç T = {c, d}
OBSERVAÇÕES
UNIÃO E INTERSEÇÃO DE FAMÍLIAS DE CONJUNTOS Seja I um conjunto não vazio qualquer. Uma família de conjuntos indexada por I é uma coleção de conjuntos Ai com i Î I. Uma tal família é denotada por (Ai)iÎI. A união dos elementos da família é
e a sua interseção é
OBSERVAÇÃO
CONCEITO A diferença dos conjuntos A e B é o conjunto dos elementos que pertencem a A mas não pertencem a B. NOTAÇÃO Indicamos a diferença dos conjuntos A e B por A - B (lê-se "A menos B") ou por A\B EXEMPLOS No diagrama de Venn a seguir, sombreamos a região referente a A - B, a superfície de A que não está sobre B.
Se S = {a, b, c, d} e T = {c, d, e, f, g} então S - T = {a, b} e T - S = {e, f, g} Se A = {1; 2; 3; 4; ... } e B = {4; 5; 6; 7; 8; ... } então A - B = {1; 2; 3} e B - A = Æ . DEFINIÇÃO A diferença entre os conjuntos A e B é definida por A - B = {x | x Î A e x Ï B} OBSERVAÇÕES
CONCEITO E NOTAÇÃO Dados dois conjuntos A e B, se B Ì A então a diferença de A e B, isto é, A - B, recebe o nome de complemento (ou complementar) de B em relação a A e tal diferença é representada por CAB ou por CAB . Se B Ì A então CAB = CAB = A - B CAB é chamado "complementar de B com relação a A" Também denotamos o "complementar de B com relação a A" por CAB Nesse caso, o conjunto A em relação ao qual se determina o complemento chama-se conjunto referência, ou referencial. Quando não se indica o conjunto referência
subentende-se que o referencial é o conjunto universo U. Neste
caso indicamos por B, C B
ou por EXEMPLOS
CONCEITO Dados dois conjuntos A e B, a diferença simétrica de A e B é o conjunto dos elementos que ou pertencem a A ou pertencem a B, mas não pertencem a ambos os conjuntos A e B simultaneamente. NOTAÇÃO A diferença simétrica dos conjuntos A e B é simbolizada por A D B (lê-se "diferença simétrica de A e B" ou "A delta B") EXEMPLOS
DEFININDO DIFERENÇA SIMÉTRICA Podemos definir a diferença simétrica de dois conjuntos A e B assim: A D B = (A - B) È (B - A) ou assim A D B = (A È B) - (A Ç B)
Veja também: Produto Cartesiano, Relação Binária, Função, Conjunto Aberto Referências:
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Autor desta página: Eric Campos Bastos Guedes - Niterói - RJ - Brasil Sugestões? Erro na página? Alguma falha? Comentários? e-mail: mathfire@uol.com.br Essa página foi visitada [ Índice de assuntos ] [ Índice alfabético ] [ e-mail ] [ Amantes da Matemática ] |