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IDEAL

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Tópicos: Ideal à Esquerda | Ideal à direita | Ideal (Bilateral) | Ideal Trivial | Ideal Impróprio | Ideal Próprio | Caracterização de Ideais | Ideal Primo | Ideal Maximal | Ideal Máximo | Ideal Gerado | Ideal Principal | Ideal Principal num Anel com Unidade | Ideal Principal num Anel Comutativo | Ideal Principal num Anel Comutativo com Unidade | Ideal Gerado num Anel Comutativo com Unidade | Ideal Gerado num Anel Comutativo | Ideal Gerado num Anel com Unidade | Ideal Gerado num Anel

Definição. Ideal à esquerda. Seja R um anel. Um subanel S de R é um ideal à esquerda de R sempre que:

  • Para todo r Î R e todo s Î S, vale rs Î S, isto é, R·Í  S

Exemplo 1. Ideal à esquerda. Seja R2×2 o conjunto das matrizes 2 por 2 com termos reais.  Seja S o conjunto das 2 por 2 matrizes com entradas reais cujos elementos da primeira coluna são todos iguais a 0. É fácil ver que S é um ideal à esquerda de R2×2, apesar de não ser um ideal à direita.

Exemplo 2. Ideal à esquerda. Seja (A, +, · ) um anel e a1a2, ..., an elementos de A (n ³ 1). Considere o seguinte subconjunto de A:

Aa1 + Aa2 + ... + Aan  = {x1a1 + x2a2 + ... + xnan | x1x2, ..., xn Î A}

É fácil ver que o conjunto acima é um ideal de A à esquerda. Caso o anel A seja comutativo, o ideal à esquerda Aa1 + Aa2 + ... + Aan será um ideal bilateral de A. Se o anel A for comutativo com unidade, o ideal à esquerda Aa1 + Aa2 + ... + Aan será o ideal gerado por a1a2, ..., an.

Exemplo 3. Ideal à esquerda. Seja R o anel das matrizes quadradas reais de ordem 3. Seja ainda X a matriz 3×3 que tem todos os termos nulos com exceção do elemento x1,2 = 1; Y a matriz 3×3 que tem todos os termos nulos com exceção do elemento y1,3 = 1. Assim o ideal (de R) à esquerda Rx + Ry é o conjunto das 3×3 matrizes reais cuja primeira coluna é formada só por zeros. 


Definição. Ideal à direita. Seja R um anel. Um subanel S de R é um ideal à direita de R sempre que:

  • Para todo r Î R e todo s Î S, vale sr Î S, isto é, SR Í  S 

Exemplo 1. Ideal à direita.  Seja R2×2 o conjunto das matrizes 2 por 2 com entradas reais. Seja D o conjunto das 2 por 2 matrizes com termos reais cujos elementos da primeira linha são todos iguais a 0. É facil ver que D é um ideal a direita de R2×2, mas não é um ideal à esquerda.

Exemplo 2. Ideal à direita. Seja A um anel e a1a2, ..., an elementos de A (n ³ 1). Considere o seguinte subconjunto de A:

a1A + a2A + ... + anA  = {a1x1 + a2x2 + ... + anxn | x1x2, ..., xn Î A}

É fácil ver que o conjunto acima é um ideal de A à direita. Caso o anel A seja comutativo, o ideal à direita a1A + a2A + ... + anserá um ideal (bilateral) de A. Se o anel A for comutativo com unidade, o ideal a1A + a2A + ... + an será o ideal gerado por a1a2, ..., an.

Exemplo 3. Ideal à direita. Seja R o anel das matrizes quadradas reais de ordem 3. Seja ainda X a matriz 3×3 que tem todos os termos nulos com exceção do elemento x2,1 = 1; Y a matriz 3×3 que tem todos os termos nulos com exceção do elemento y3,1 = 1. Assim o ideal (de R) à direita xR + yR é o conjunto das 3×3 matrizes reais cuja primeira linha é formada só por zeros. 


Definição 1. Ideal. Seja R um anel e I um subanel de R. Se I é um ideal à esquerda e um ideal à direita de R, simultaneamente, então I é chamado de ideal de R ou ideal bilateral de R.

Definição 2. Ideal. Seja (R, +, · ) um anel. Um subconjunto não vazio I de R é chamado um ideal (de R) se as duas condições seguintes são satisfeitas:

  1. Para todos x, y Î I, vale x - y ΠI, isto é, dados dois elementos quaisquer x, y em I, a diferença x - y está em I. Diz-se nesse caso que I é fechado para a diferença.
  2. Para todo x Î I e todo r Î R, rx Î I e xr Î I, isto é, multiplicando (tanto à direita quanto à esquerda) um elemento qualquer do ideal I por um elemento qualquer do anel R, o produto permanece em I.

Exemplo 1. Ideal. Seja R um anel. {0} e R são sempre ideais de R, chamados ideais triviais de R ou ideais impróprios de R.

Exemplo 2. Ideal. Seja RR o anel das funções reais de variável real, onde (f + g)(x) = f (x) + g(x) e (fg)(x) = f(x)g(x). O subconjunto I = {f : à   R | (1) = 0} Ì RR é um ideal de RR.

OBS. Num anel comutativo os ideais à esquerda e os ideais à direita são sempre ideais (bilaterais).


Definição. Ideal Trivial. Dado um anel R cujo elemento neutro da adição representamos por 0, os conjuntos {0} e R são chamados de ideais triviais de R, ou ideais impróprios de R

Definição. Ideal Impróprio. O mesmo que ideal trivial.

Definição 1. Ideal Próprio. Todo ideal que não é ideal impróprio, isto é, que não é ideal trivial, é chamado de ideal próprio.

Definição 2. Ideal Próprio. Dado um anel R com elemento neutro da adição representado por 0, um ideal próprio de R é um ideal I de R tal que I ¹ {0} e I ¹ R. 


Proposição. Caracterização de ideais. Seja (A, +, · ) um anel. Um subconjunto R de A é um ideal de A se e só se:

  1. ¹ Ø
  2. para todo r Î R e todo a Î A vale ar Î R e ra Î R
  3. para todos r, s Î R vale r - s Î R

Definição. Ideal Primo. Seja P um ideal em um anel A. Dizemos que P é um ideal primo (em A) quando:

  1. P ¹ A
  2. Para todos a, b Î A tais que ab Î P vale ΠP ou ΠP.

Exemplo 1. Ideal Primo. {0} = 0Z é um ideal primo de Z pois se ab Î Z e ab Î Î {0} ou Π{0}.

Exemplo 2. Ideal Primo. 4Z NÃO é um ideal primo de Z pois 2 × 2 = 4 Î 4Z, mas 2 Ï 4Z; do mesmo modo 6Z NÃO é um ideal primo de Z pois 4 × 3 = 12 Î 6Z, mas 4 Ï 6Z e 3 Ï 6Z.

Exemplo 3. Ideal Primo. Se p é um número primo então pZ é um ideal primo em Z. De fato, se aΠZ e ab Î pZ então p divide ab, logo p|a ou p|b, portanto a Î pZ ou b Î pZ.

 Exemplo 4. Ideal Primo. O ideal {[0]} em Z/6Z = {[0], [1], [2], [3], [4], [5]} não é um ideal primo pois [2][3] = [0] Î {[0]} mas [2], [3] Ï {[0]}


Definição 1. Ideal Maximal. Seja A um anel e M um seu ideal. Dizemos que M é ideal maximal (ou ideal máximo) de A se ¹ A e se os únicos ideais de A que contém M são M e A.

Definição 2. Ideal Maximal. Seja A um anel. Um ideal ¹ A é ideal maximal de A sempre que I ser ideal de A e Í  I Í  A acarretar necessariamente I = M ou I = A.

Definição 3. Ideal Maximal. Dado um anel A dizemos que M ¹ A é ideal maximal de A se e somente se não existir um ideal I tal que Ì I Ì A com ¹ ¹ A.

Definição 4. Ideal Maximal. Dado um anel A e M um seu ideal, dizemos que M é ideal maximal de A quando M é um elemento maximal, no conjunto dos ideais de A diferentes de A, com respeito à relação de ordem inclusão.

Exemplo 1. Ideal Maximal. No anel A = Z×Z (produto direto) o ideal M = Z×2Z é maximal.

Exemplo 2. Ideal Maximal. No anel (Z, +, · ) o ideal 2Z é maximal. De modo mais geral, se p Î Z é um número primo, pZ é um ideal maximal de Z.

Exemplo 3. Ideal Maximal. O ideal 4Z NÃO é um ideal maximal de Z pois 4Ì 2Z Ì Z mas 2Z ¹ 4Z e 2Z ¹ Z.

Exemplo 4. Ideal Maximal. O ideal 6Z NÃO é um ideal maximal de Z pois 6Z Ì 3Z Ì Z mas 3¹ 6Z e 3Z ¹ Z.

Definição. Ideal Máximo. O mesmo que ideal maximal


Proposição. Números Primos e Ideais Maximais em Z. Seja p um inteiro positivo. São equivalentes:

  1. pZ é um ideal maximal em Z
  2. p é um número primo.

Exemplo 1. Como 3 é um número primo, 3Z é um ideal maximal de Z.

Exemplo 2. Como 4Z não é um ideal maximal de Z então 4 não é um número primo.

Exemplo 3. Como 7Z é ideal maximal de Z então 7 é um número primo.


Definição 1. Ideal Gerado. Seja (A, +, · ) um anel e S Í  A. O menor ideal de A que contém S chama-se ideal gerado  por S e é denotado por < S >. O ideal < S > é o menor ideal de A que contém S no sentido de que se I é um ideal qualquer de A satisfazendo S Í  I então vale < S > Í  I.

Definição 2. Ideal Gerado. Seja (A, +, · ) um anel e S Í  A. A interseção de todos os ideais de A que contém S é o ideal de A gerado por S que denotamos por < S >. 

Notação. Ideal Gerado. Se S = {a1a2, ..., an} então denotamos o ideal < S > por < a1a2, ..., an >.

Exemplo 1. Ideal Gerado. No anel Z o ideal 2Z é gerado pelo inteiro 2, isto é  2Z = < 2 >; do mesmo modo, no anel Z o ideal 6Z é gerado por 6, assim: 6Z = < 6 >. 

Exemplo 2. Ideal Gerado. No anel Z temos o ideal principal 6Z = < 12, 18 > = < 6 >. Note que mdc(12, 18) = 6.

Exemplo 3. Ideal Gerado.  Seja A um anel comutativo com unidade e a1a2, ..., an elementos de A (n ³ 1). Considere o seguinte subconjunto de A:

a1A + a2A + ... + anA  = {a1x1 + a2x2 + ... + anxn | x1x2, ..., xn Î A}

É fácil ver que o conjunto acima é um ideal de A


Definição. Ideal Principal. ideal principal é todo ideal gerado por apenas um elemento

Exemplo 1. Ideal Principal. No anel Z o ideal 4Z é um ideal principal já que 4Z = < 4 >. Na verdade todo ideal de Z é ideal principal, por isso se diz que Z é um domínio principal. É fácil ver que nZ é um ideal principal de Z, pois nZ = < n >. Todos os ideais de Z são da forma nZ.


Proposição. Ideal Principal. Seja (A, +, · ) um anel e x Î A. O ideal (bilateral) gerado por {x} em A é:

x > = {ax + xb + rxt + nx a, b, r, t Î A e ΠZ}

Proposição. Ideal Principal num Anel com Unidade. Seja (A, +, · ) um anel com identidade. O ideal (bilateral) gerado por {x} em A é:

x > = {ax + xb + rxt a, b, r, t Î A}

Proposição. Ideal Principal num Anel Comutativo. Seja (A, +, · ) um anel comutativo. O ideal gerado por {x} em A é:

x > = {ax + nx Î A e ΠZ}

Proposição. Ideal Principal num Anel Comutativo com Unidade. Seja (A, +, · ) um anel comutativo com unidade. O ideal gerado por {x} em A é:

x > = {ax Î A}

 

Proposição. Ideal Gerado num Anel Comutativo com Unidade. Seja A um anel comutativo com unidade e b1b2, ..., bn elementos de A (n ³ 1). Nesse caso o ideal gerado por b1b2, ..., bn é:

b1b2, ..., bn >  = {a1b1 + a2b2 + ... + anbn | a1a2, ..., an Î A}

Notação. Ideal Gerado. Também usamos a seguinte notação:

Ab1 + Ab2 + ... + Abn = {a1b1 + a2b2 + ... + anbn | a1a2, ..., an Î A}

ou essa outra:

b1A + b2A + ... + bnA = {b1a1 + b2a2 + ... + bnan | a1a2, ..., an Î A}

Proposição. Ideal Gerado num Anel Comutativo. Seja (A, +, · ) um anel comutativo e b1, b2, ..., bm elementos de A (³ 1). Nesse caso o ideal gerado por B = {b1, b2, ..., bm} é:

B > = < b1b2, ..., bm >  = 

{(a1b1 + n1b1) + ... + (ambm + nmbm) | ai Î ni Î Z}

isto é:

b1b2, ..., bm >  = (Ab1 + Zb1) + (Ab2 + Zb2) + ... + (Abm + Zbm)

ou, de outro modo:

b1b2, ..., bm >  = Si=1m Abi + Zbi

Proposição. Ideal Gerado num Anel com Unidade. Seja (A, +, · ) um anel com unidade e S Í A. Nesse caso o ideal gerado por S é:

S > = 

= {Saisi + Ssjbj + Srksktk | somas finitas; sisjsk Î Saibjrktk Î A}

ou seja:

S > =

= {x1 + x2 + ... + xn | x1x2, ..., xn Î A·S + S·A + A·S·A e ΠN}

de outro modo:

S > = Ssomas finitas (A·S + S·A + A·S·A)

com a aritmética de conjuntos.

Proposição. Ideal Gerado num Anel. Seja (A, +, · ) um anel e S Í A. Nesse caso o ideal gerado por S é:

S > = 

= {Saisi + Ssjbj + Srksktk + Snusu | somas finitas; sisjsksu Î Saibjrktk Î AnuΠZ}

ou seja:

S > =

= {x1 + x2 + ... + xm | x1x2, ..., xm Î A·S + S·A + A·S·A + Z·S e ΠN}

de outro modo:

S > = Ssomas finitas (A·S + S·A + A·S·A + Z·S)

com a aritmética de conjuntos.

Referências

I. N. Herstein. Tópicos de Álgebra. São Paulo: Polígono, 1970.

Arnaldo Garcia, Yves Lequain. Álgebra: um curso de introdução. Rio de Janeiro, Instituto de Matemática Pura e Aplicada, 1988. 213 páginas. (Projeto Euclides).

Hygino H. Domingues, Gelson Iezzi. Álgebra Moderna. 2. ed. São Paulo: Atual, 1982.

T. M. Viswanathan. Introdução à Álgebra e a Aritmética. Rio de Janeiro, Instituto de Matemática Pura e Aplicada, 1979.

Antônio Marmo de Oliveira, Agostinho Silva. Biblioteca da Matemática Moderna, tomo 2. 4. ed. São Paulo: Lisa, 1971. 804 páginas.

 

Autor desta página: Eric Campos Bastos Guedes - Niterói - RJ - Brasil

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